Sábado, 11 de Julho de 2009

Eu escolho urbanização. E você ?

Um amigo meu teve que fazer um trabalho de religião, pela internet.Era um tipo de questionário.Então ele me enviou um documento com algumas perguntas, que eu achei interessante, e as respondi.Mas tenho a nítida impressão de que ele deve ter percebido que nas respostas eu talvez possa ter ultrapassado um pouquinho o limite de três linhas.
Uma pergunta dizia o seguinte:
1-Qual religião você pertence e quantas vezes você freqüenta a igreja em média?
Não pertenço a nenhuma religião, tampouco frequento igrejas .
2-O que você considera que mais afasta a pessoa da religião?

A. racionalismo científico moderno
B. capitalismo
C. Industrializaçao
D. urbanizaçao
E. meios de comunicaçao


Eu acredito que o que afasta mais as pessoas da religião é a urbanização , porque esse processo além de tornar urbanos os costumes rurais, torna sua cultura também.A vida nos grandes centros urbanos é muito corrida, e embora sempre tenha gente nas igrejas, muitas pessoas não tem tempo de frequentar uma igreja que lhe agrade.Porque eu penso que não basta simplesmente ir numa igreja todos os domingos e ficar ouvindo o padre falando e depois voltar pra casa com a falsa sensação de estar cumprindo seu papel como fiel; é necessária uma satisfação pessoal da pessoa para com a igreja.Ainda mais nos dias de hoje, em que tem tanta igreja tirando dinheiro do povo.
Em contrapartida, temos o ambiente rural.Lá, as pessoas tem mais tempo, as cidades são menores, não tem trânsito de helicóptero e tudo o mais.Por convenção, a maioria das pessoas começa a frequentar a igreja logo cedo, e realmente aprendem alguma coisa de lá, e começam desde crianças a gostar de ir à igreja.E é exatamente isso que faz a diferença na hora de ver o motivo de tanta gente deixando a religião de lado, o gostar ou não de ir à igreja.
Agora, uma das alternativas para responder essa pergunta era a E-meios de comunicação.Eu também acho que essa alternativa seria uma boa resposta, já que tem até missa pela internet.Para gostar de ir à igreja, é preciso tempo.Por isso é bom ir desde cedinho, você adquire o hábito e passa a gostar disso.As pessoas estão começando a ir pra igrejas muito tarde, e nesse tempo já passam a ter uma definição maior do que lhes agrada.O que você acha que um garoto de 10 anos preferiria : ir pra igreja, onde ainda se preserva toda uma espécie de conduta ritualística (fazer o sinal da cruz ao entrar, comportar-se, falar baixo), ou então ficar em casa jogando Hallo 3 em seu X-Box 360 comendo salgadinho ? Porque, a meu ver, de nada vale você frequetar uma igreja contra sua vontade.Só vai te afastar ainda mais disso.
A internet também é outra responsável indiretamente pela redução do número de fiéis(principalmente católicos) nas igrejas.Tentamos negar isso, mas adquirimos um vício pela rede.Até porque, é esse o mundo alternativo onde podemos ser quem não somos, e isso realmente atrai muito mais as pessoas do que se imagina.Imagine como eram as coisas 40 anos atrás, quando essa progressão geométrica da globalização começou.Todos tinham mais tempo pra fazer tudo, podia-se sair do trabalho e ir beber uma com os amigos no bar, dava pra ir em eventos mais facilmente,fazer uma serenata, ficar conversando com os amigos na rua, sem se preocupar em voltar pra casa pra falar com quem mora do outro lado do país, e quem você nem saberia da existência caso a internet não estivesse aí.
Mas eu escolhi a urbanização como principal fator do afastamento das pessoas da religião, porque sem a urbanização, não existiria esse avanço monstruoso de tecnologia e liberdade de expressão, essenciais para tirar do alto o poder a igreja, muitas vezes usado realmente para fins leais, outras vezes não.
Por isso eu acho que a urbanização, a internet e o X-Box 360 afastam as pessoas das igrejas, mas também permite que elas tenham uma gama maior de opções caso queiram começar a frequentar uma, pois eles nos dão o benefício da escolha .

Sábado, 30 de Maio de 2009

Sem sentimentos, sem guerra

Tarde de quinta feira, 21.Um homem que aparenta ter 30 anos sobe num ônibus no Rio de Janeiro, e alguns minutos depois senta-se próximo a uma jovem.Anuncia o assalto mostrando a ela uma arma, e está armada a confusão : alguns passageiros perceberam a ação suspeita e avançaram no marginal, desarmando-o e desferindo golpes enquanto ele é imobiliziado por um suposto lutador de Jiu Jitsu.O assaltante consegue se livrar e pula pra fora do ônibus, os caras vão atrás dele, junto com um pessoal que já estava na rua.O homem derruba na calçada um casal de idosos, e aí uma multidão indignada avança pra cima dele e o espanca até os policiais chegarem.Eu vi o vídeo que passou no jornal na hora do almoço, foi uma coisa linda; ainda mais porque a arma que ele carregava era de brinquedo .
Pode parecer uma ação precipitada por parte dos "linxadores", mas é o que vai começar a acontecer todos os dias no Rio em pouco tempo.Quando uma sociedade chega no limite da tolerância à violência, e não pode contar nem mesmo com a polícia, só tem uma entidade capaz de combater o crime : o povo.
Em São Paulo, também aconteceu algo bizarro, que nem foi muito divulgado; um depoimento que um casal deu á polícia durante a madrugada, após um show de pagode : eles estavam voltando pra casa a pé, quando foram abordados por um homem armado, que levou seu dinheiro e celulares.De repente, apareceu um cara mascarado e pulou por cima do assaltante, e em seguida outros dois vultos vieram por trás do casal e imobilizaram o homem.O primeiro mascarado pegou os celulares e devolveu para o casal, depois disse para espalharem que o grupo "Ninjusto" está alí para fazer justiça.Convenhamos, se eu fosse criar um clã de justiceiros, teria escolhido um nome mais decente, mas ainda assim, os caras agiram, fizeram alguma coisa, mesmo que tenha sido uma manifestação isolada, isso não é normal fora dos quadrinhos.
O que ocorre é que morar em cidades muito violentas fica cada vez mais insuportável. As pessoas começam a ter medo de sair de casa, medo de pegar ônibus depois das 20h, medo de perder a vida mesmo cooperando com o assaltante, como foi o caso do posto de gasolina e do cobrador de ônibus, casos de que creio que meus leitores estejam cientes.
Agora, se a polícia não consegue resolver isso, alguém tem que tentar, e muitas vezes esse alguém é o próprio povo, civis que arriscam a vida para lutar pela justiça.Parece banal, parece uma coisa de cinema, mas não dá mais pra ignorar, é o que está acontecendo . Nos EUA teve um caso que ficou famoso, um ex-policial que foi preso por ter comprado um grande arsenal de armas que ele pretendia usar em bandidos foragidos, como já tinha feito antes. Mas isso nos levanta uma questão : justiça com as próprias mãos; sim ou não?
Minha resposta é sim. Não adianta ficar alheio a essa onda de violência que vem crescendo cada ano, não adianta simplesmente se conformar com isso, não vai mudar os fatos. Justiça divina? Que divindade que vai tirar a dor dos filhos daquele cobrador que foi morto por ter feito tudo o que os assaltantes pediram ?Quem vai trazer de volta a mãe do bebê que nasceu prematuro depois que uma bala atravessou o útero daonde ele sairia em pouco tempo, depois do assalto no posto ?
Pois é, não vivemos mais num Brasil onde fazem filmes em homenagens a sequestradores de ônibus (vide o caso do ônibus 174) .Vivemos hoje num Brasil em que o mais ignóbil analfabeto diz "Deveriam ter acertado a cabeça no infeliz quando tiveram chance", referente ao recente caso de Lindembergue Alves.Se não aparecer nenhum Batman nos próximos anos, a coisa vai ficar realmente feia.
Tem quem diga que "usar violência para deter a violência não é a solução",mas há uma diferença entre a violência do criminoso e a violência do justiceiro, e essa diferença se chama propósito. É o propósito que dá sentido às nossas ações .Não tem sentido matar por maldade, mas existe um sentido em combater o crime, e a isso eu atribuo o nome de limpar a sociedade.Eu assisti um filme esses dias chamado Equilibrium.O filme trata de uma sociedade chamada Libria, em uma Terra após uma hipotética terceira guerra mundial, onde o governo atribuiu os fracassos das sociedades passadas e todas as guerras à essência do ser humano, os sentimentos.No filme, todos os cidadãos tomam uma dose diária de uma droga chamada Prozium, que inibe qualquer sentimento, impossibilitando assim de existir o ódio e a raiva; em contrapartida, essa droga também afasta o amor do coração dos homens.Uma vez que é proibido amar, é proibido apreciar obras de arte, ouvir música ou ler, e há uma unidade especializada em caçar pessoas que fazem esse tipo de coisa. É claro que isso passa longe de ser a solução para o mundo, mas dá pra ter uma ideia de até onde os humanos chegariam num futuro não muito distante para impedir que a civilização fosse corrompida pela violência.Temos referências culturais do combate ao crime, como o Superman ou o Batman, mas estes possuem poderes ou tecnologia como arma contra os ladrões, e infelizmente, hoje tudo o que o povo tem é o direito de escolher em quem votar.É claro que, na ficção, ambos os heróis são aclamados pelo povo por zelarem pela segurança, mas você já parou para imaginar como seria se existisse um justiceiro na sua cidade?A polícia iria apoiá-lo ou caçá-lo?E o povo?Não seria legal ver no jornal notícias como "Criminalidade cai 20% depois da aparição dos Ninjustos", ou "Homem Barata prende assaltante", "Mulher Sutiã desarma bomba em delegacia" ?
É o tipo de notícia que eu espero ler nos próximos anos enquanto tomo café da manhã.Mas, enquanto isso, já que não tenho idade para afiar a minha katana, continuo usando como armas apenas as minhas humildes ideias .

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho tem problemas mentais

É a única conclusão a qual consigo chegar.Acho que os leitores estão cientes do acontecimento recente envolvendo uma garota de nove anos de idade, seu padastro e, claro, a santíssima ideologia da Igreja Católica.Dessa vez, um arcebispo se voltou contra a realização da operação de aborto em uma garota que foi estuprada pelo padastro, usando o argumento de que "a lei de Deus é maior que a lei do homem, e a igreja defende em primeiro lugar o direito da vida".Ah, certo, porque Deus quer que as pessoas sejam estupradas pra procriar, é isso?Porque, ao meu entender de "direito à vida", quer dizer uma pessoa que não tenha uma vida frustrada por uma tragédia em que uma parte dela poderia ter sido evitada.A que vida o arcebispo se refere quando cita a doutrina da igreja como uma maneira de defender sua vontade?A vida dos gêmeos, que dificilmente nasceriam?A vida da garota, que teria um sofrimento inimaginável e uma morte lenta e dolorosa?Ou a vida daqueles familiares da menina, de sua mãe e irmã que estão ao seu lado desde o início?Eu queria ver o que aconteceria se alguma irmã desse arcebispo passasse por essa situação.Agora, ele não tem o direito de usar o nome de Deus redundantemente para criar um falso senso de moralismo inapropriado na tentativa de exercer o poder da igreja católica.
E, após a cirurgia ter sido realizada, ele foi além disso, ele excomungou o pessoal que ajudou a garota e apoiou o aborto dizendo que estes cometeram um crime religioso.Isso nos prova o poder e a tirania da Igreja Católica.Ele não fez isso por considerar o aborto um "ato criminoso perante a lei de Deus", ele fez isso por vingança.Porque ele não pôde suportar o fato de perder.Ele em outras palavras disse que, mais que salvar uma vida; salvar uma família, é crime, e sequer citou o infeliz que estuprava a garota e sua irmã.Para mim, quem devia ser preso junto com o padastro da menina era Dom José Cardoso Sobrinho, por perder uma grande, uma muito grande, uma enorme chance de ficar de boca calada.

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

"Meu genro é ateu, vou deserdar minha filha "

Estava eu, vagando por um site de perguntas e respostas, quando me deparei com uma pergunta vinda de um carioca de uns 40 anos : "O que você faria se sua filha entrasse em casa com um namorado ateu ?Eu devo deserdá-la ?".Nas respostas, os absurdos 'foramseacumulando' .Algumas pessoas diziam coisas do tipo : "Ah, se fosse comigo, eu sentaria com ela para rever seus conceitos ", ou "Eu acho que você deve fazer sua filha tentar converter o namorado ao cristianismo ".Havia também ateus na conversa, ironizando o preconceito explícito com deixas do tipo "Sou ateu.Se minha filha chegar em casa com um namorado religioso fanático, sentarei com ela para rever seus conceitos" .Não tenho nada contra ateus.Não tenho nada contra cristãos.Não tenho nada contra qualquer tipo de religião existente, embora eu ache a quarta maior religião da Grã-Bretanha(Jediismo) um pouco exagerada.Mas, convenhamos : não estamos mais na idade média.Se um pai diz pra uma filha "converta seu namorado ao cristianismo", o que tira o direito de que se o sujeito for budista, o pai dele dizer "converta sua namorada para o budismo" ?Francamente, eu acho que isso simplesmente vai contra os princípios humanos.Nosso nível de preconceito é inversamente proporcional ao de inteligência, e, os pais dessa garota não tem o direito de interferir em seu livre arbítrio.Tenho amigos ateus que são pessoas muito melhores do que alguns católicos que vejo por aí.Aliás, se não fosse por um determinado papa e um rei "Belo", a alguns séculos atrás, hoje provavelmente existiria apenas uma religião no mundo(leiam O Último Templário, e Max de Molay para ver do que estou falando).Mas isso não vem ao caso.Além do mais, quem aqui nunca leu Romeu e Julieta ?Se os dois jovens querem ficar juntos, a implicância dos pais apenas aumentará essa vontade.Não vejo razão para causar afrontas desnecessárias em um relacionamento por um motivo tão cínico.
Afinal de contas, o necessário para a união de duas pessoas, não deveria ser a cor da pele, ou a descendência, ou a religião.Deveria ser o amor.

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Compostela, A Velha Cadeira

Isso aí, compatriotas, finalmente encontrei alguém da minha espécie que prefere escrever do que ir em baladas !O nome do momento é Stela Oliveira.Seu livro foi lançado ano passado, mas não creio que ele tenha cruzado os limites de Mato Grosso do Sul. Bom, pelo menos o meu exemplar vai.
A reportagem completa está neste link :

Compostela, A Velha Cadeira

Como nos disse um homem muito sábio uma vez, "maturidade não tem a ver com quantos aniversários celebramos.Mas sim com quantas experiências já vivemos e o que aprendemos com elas".
14 anos é uma bela idade para se lançar um livro. Pudera eu lançar o meu próprio, hehe.Neste ano e meio que venho seguindo com este blog, embora tenha uma notável instabilidade na frequencia de minhas postagens, pode se perceber que quando o indivíduo em questão de algum argumento está na adolescência, não há comentários positivos.Creio que o lançamento de Compostela, A Velha Cadeira, pôde de certa forma me lembrar de que a Força é forte, e que o Lado Negro da Força não triunfará enquanto impusermos nossos sabres de luz .

Mas, metáforas estelares a parte, gostaria de comentar a respeito de jovens escritores.Consideremos Christopher Paolini, escritor de Eragon.O cara gostava de Senhor dos Anéis, e fez uma coisa parecida(admito que não gostei de seu trabalho, por motivos os quais não aborrecerei o leitor citando-os).Mas ele realmente sentou, escreveu a história, publicou, levou pro cinema e ganhou dinheiro.O filme não foi aquela coisa, mas rendeu uma quantia considerável ao autor/ à produtora/ ao diretor .E muitas pessoas gostaram.
Agora, se livros de escritores como J.R.R.Tolkien, J.K.Rowling ou Agatha Christie são focados em um público jovem, por qual motivo não há uma boa quantidade de livros escritos por adolescentes nas prateleiras das livrarias ?Penso que as editoras não colocam fé nos jovens.A preferência cultural massiva manchou a imagem do jovem moderno na sociedade, e agora ele não tem mais vez.Não até os 18.Mas lembre-se de que não se deve subestimar aquele que não se conhece.

Espero que um dia, Stela Oliveira possa sentar-se em uma cadeira(não necessariamente chamada Compostela) e contar para seus netos a história de como ela começou sua carreira .

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Lápis mastigado, Aluno concentrado



Sabe aquele seu colega de sala de aula, viciado em morder o lápis? Ou então seu colega de trabalho, que não se cansa de descontar toda a suposta tensão sofrida pela rotina na madeira do lápis, como uma forma singular de se distrair do mundo e usar o ato de mordê-lo como um mecanismo de auxílio no fluxo de pensamentos que possam conseqüentemente levá-lo a ter uma idéia?Não? Pois bem, eu também não conheço ninguém com esse perfil.Mas parece que a Concentrate, uma empresa britânica, quer que os alunos se concentrem mais nas aulas, começando por 'parar de morder o lápis'.A idéia é simples: eles fabricam um lápis com marcas que lembram mordidas.Os alunos brilhantes que estão sempre à par das últimas novidades tecnológicas em desenvolvimento de projetos visados a uma maior concentração em salas de aula vão até a papelaria mais próxima e compram um desses. Aí, quando eles estiverem em suas provas de física e quiserem morder seus lápis para 'viajar pelo mundo', olharão para o cabo do lápis e pensarão "Eca, que nojo!Eu não vou morder isso!Eu vou me concentrar para a minha prova de física!".
E então, não é um plano infalível?
Pois bem, não é preciso dizer que tem quem compre, mas é algo tão banal que tem sua própria existência desnecessária.Será que as empresas de lápis não podem contribuir com as salas de aula através de projetos educacionais,ao invés de colocar cachorros para morder os lápis dos alunos?Qual vai ser a próxima? Esmaltes que já vem com fazedores de risquinhos, para que quando as secretárias forem roer as unhas elas pensem "Oh, meu Deus, mas que unhas horríveis!Não vou roer minhas unhas, vou trabalhar!" ?
Isso, porque estamos falando de algo que acontece na Inglaterra.
Não é apenas ridículo, é um insulto, uma subestimação da capacidade geral dos alunos de manterem-se concentrados em seus estudos, porque o aluno que vai pra aula pra estudar, ele vai pra aula e estuda, não precisa ficar comprando lápis especial de mordidinhas anti-distração.
Mas então, de que cor quer seu esmalte?

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Cúmulo

"Segundo a organização de defesa dos direitos humanos, Anistia Internacional, Aisha Ibrahim Duhulow foi morta no dia 27 de outubro por um grupo de 50 homens em um estádio na cidade portuária de Kismayo, no sul do país, diante de mil espectadores.

A menina foi acusada de violar leis islâmicas e detida pela milícia al-Shabab, que controla a cidade."


Aisha Ibrahim, 13 anos de idade.Meio cedo para morrer, não acha?Principalmente desta forma absurda.

A milícia al-Shabab,que controla a cidade de Kismayo, na Somália, deteve a garota, acusada de violar leis islâmicas de adultério.Primeiramente foi dito que ela tinha de fato quebrado as regras, mas após uma investigação foi descoberto que ela não tinha 23 anos, como foi dito antes do início do apedrejamento, ela tinha 13 anos; e também não havia quebrado lei alguma, havia sido estuprada.Algumas pessoas tentaram ajudá-la durante o ocorrido, e a milícia abriu fogo contra elas, matando um garoto que estava observando tudo.

Claro, o Brasil é muito diferente da Somália, tanto em termos econômicos e éticos como em termos religiosos, e devemos respeitar os costumes dos outros países assim como queremos ser respeitados.Mas agora imagine-se na pele da garota.Um estupro já não é sofrimento o bastante?Ela tinha que ser acusada de cometer adultério e ser assassinada desta maneira covarde e cruel?Onde estão os estupradores?Quem será responsabilizado pela morte do garoto?Quando é que este tipo de morte entrará em extinção?

Com certeza, perguntas como estas são feitas todos os anos em países assim.As doutrinas de algumas religiões são severas demais, e até certo ponto isto é algo positivo, pois serve como um método de intimidar as pessoas a não cometer crimes.Na Arábia Saudita, por exemplo, matou, é pena de morte, roubou, perde as mãos.Tudo em nome de Deus.Mas e quando uma pessoa é julgada erroneamente, como se resolve isso?Que Deus irá trazer sua vida e a felicidade de sua família de volta?É por essas e outras que eu condeno a prática deste tipo de morte.

Esse episódio lembra o ocorrido com u’a Khalil Aswad, em Mosul, no Iraque, episódio do qual infelizmente acabei não comentando aqui.Ela foi espancada até a morte por um grupo de nove pessoas, incluindo parentes, por planejar uma fulga com seu namorado, que era de uma outra religião.Ah, aproveitaram e gravaram tudo pelo celular, e jogaram na internet.

Num mundo como o de hoje, esse tipo de coisa não deveria acontecer.Quantas vezes você já ouviu falar em atentados suicidas no Iraque?Esses terroristas são os que não tem direito á vida, utilizam o nome de Deus como pretexto para matar inocentes, ainda que haja interesses políticos e militares em jogo.Traficantes do Rio de Janeiro não têm direito à vida.Estupradores não têm direito à vida.Agora, a garota que quer ir para um lugar melhor com a pessoa que ama, ah, essa sim é espancada até a morte,amar é proibido, o amor é ilegal, e aquela que foi estuprada, como se isso não fosse o bastante, tem o mesmo fim trágico.

Enquanto isso, Alexandre Narnodi, Lindembergue Alves, estes estão desfrutando da boa comida e conforto do presídio de segurança máxima.

Eu me pergunto, onde está a justiça?