terça-feira, 9 de setembro de 2008

Anencefalia

"A anencefalia consiste em mal formação rara do tubo neural acontecida entre o 16° e o 26° dia de gestação, caracterizada pela ausência total ou parcial do encéfalo e da calota craniana, proveniente de defeito de fechamento do tubo neural durante a formação embrionária. Esta é a mal formação fetal mais freqüentemente relatada pela medicina."

Está em debate no Supremo Tribunal Federal a possibilidade da legalização do aborto nos casos em que há anencefalia. Atualmente, as únicas maneiras legais de se fazer a operação é quando há caso claro de risco à vida da gestante ou em casos de estrupo. Os médicos que realizam o aborto sem que haja essas condições estão sujeitos a até quatro anos de prisão.Na maioria dos casos em que é descoberta a doença, o feto morre ainda na barriga da gestante, ou quando muito, alguns minutos depois do nascimento.Eis a questão : por que ainda não é permitido este tipo de operação no país? Onde estão os direitos das mulheres para consigo mesmas? Ah, claro, como diz a sábia frase, "todos têm direito à vida". Sob este pretexto, a prioridade seria do feto, não é mesmo?

Entretanto, esta questão vem fazendo cientistas bater na mesma tecla inúmeras vezes; em alguns casos , quando o bebê sobrevive ao parto e a alguns meses, na ausência da mãe ele chora.Como explicar isso?Teriam os anencéfalos algum tipo de cinsciência primitiva ?Talvez, mas não pense que este fato faça com que eles tenham algo remotamente parecido ao que poderíamos chamar de vida.

Imagine a alegria contagiante que é quando uma mulher recebe a notícia de que está grávida.Ou quando um homem fica sabendo que a mulher que ele ama está esperando um filho seu.Há um ser vivo dentro dela, há um amor natural incondicional florescendo alí.Agora imagine quando em algum exame de rotina, ela recebe a notícia de que seu filho tem esta rara doença.Como você acha que essa mulher se sentiria?Ou melhor, permita-me ousar um pouco, como você se sentiria caso soubesse que seria mãe/pai de um filho que jamais poderia sorrir ?É por isso que sou totalmente de acordo com a idéia de que o aborto neste caso deve sim ser permitido.É muito triste ter que conviver com isto, creio eu.Li em algum lugar que houve um caso em que a gestante soube da doença no segundo mês da gestação.Desde então, ela procurou de todas as maneiras possíveis realizar a operação, mas não havia quaisquer leis que legalizassem o processo.Ela aguentou mais sete meses.Ela teve que aguentar mais sete meses.Sete meses.Ao final, depois de não ter conseguido autorização alguma, enfim chegou a fatídica data do nascimento da criança.Após o exaustivo parto, quando se recompôs, ela finalmente teve pela primeira vez seu filho em seus braços.E, alí mesmo, envolto aos braços da mãe, ele faleceu.A vida do bebê se resumiu em sete minutos.Sete sofridos meses vividos na esperança de um momento que durou sete minutos.Não há maneira de imaginar como esta mãe sofreu.

Agora, me diga, existe algum motivo para o projeto de lei não ser aprovado? Quantas cenas como estas terão que ser repetidas até que alguém se toque do tamanho que é esta brutalidade?Quem, em sã condições, iria deliberadamente obrigar uma pessoa a passar por estas situações?Porque, estou certo de que quem quer que esteja por trás da representação de defesa da proibição do aborto nestes casos, jamais imaginou ter um filho anencéfalo.E, em minha humilde opinião, é melhor morrer do que perder a vida.

2 comentários:

Bruna disse...

SOU TOTALMENTE A FAVOR DO ABORTO, sempre fui! Acho uma brutalidade esse tipo de coisa!

Te adeio andré _|_

Anônimo disse...

Sobre os anencefalos
Apesar da polemica que gera a matéria, deve realmente ser debatida e estudada com profundidade. Diversos segmentos da sociedade pensam diferente, mas isso nos faz crescer e porque não dizer repensar em alguns valores.
A discordancia de pensamentos faz uma nação crescer.
Parabens que Deus continue a iluminar os seus caminhos e lhe de sabedoria e ousadia.
Um abraço
Valdir